A Maçonaria, enquanto escola iniciática, utiliza so símbolos como
ferramentas de ensino, reflexão e autoconhecimento. Eles não estão presentes
apenas para ornamentar o Templo: servem para provocar o pensamento e levar
o maçom a olhar para si mesmo.
É nesse sentido que surge a ideia do Homem Simbólico: o homem que
procura compreender os ensinamentos contidos nos símbolos e, a partir deles,
procura melhorar a si próprio. Este trabalho busca refletir sobre essa relação
entre o Homem Simbólico e a Maçonaria, mostrando como a simbologia pode
contribuir para o aperfeiçoamento moral e espiritual do indivíduo.
Na visão maçônica, o homem pode ser entendido como um reflexo do
universo. Cada maçom é incentivado a reconhecer dentro de si princípios
universais, como a justiça, a sabedoria e a fraternidade.
Dentro dessa visão, o Homem Simbólico é aquele que aprende e busca
evoluir por meio da interpretação dos símbolos e do autoconhecimento. Ele
começa a perceber que muitas coisas da vida podem ter um significado maior
do que aquilo que aparece à primeira vista.
Reconhecer-se como Homem Simbólico é também compreender que a
construção do caráter não se faz apenas pela aquisição de conhecimento. Ela
acontece principalmente quando trabalhamos nosso interior e procuramos
melhorar o nosso EU, de dentro para fora.
Os símbolos maçônicos não são apenas representações gráficas. Eles
carregam ensinamentos e servem como instrumentos para despertar a
reflexão. Cada um pode nos levar a uma mudança de atitude, desde que
procuremos compreender o seu significado.
O malho pode representar a força de vontade necessária para vencer os
vícios. O cinzel nos lembra o discernimento e a razão. O esquadro representa a
retidão moral, enquanto o compasso nos ensina a reconhecer limites e a
controlar nossos próprios desejos.
Juntos, esses símbolos nos convidam a equilibrar nossas ações e a buscar
constantemente o aperfeiçoamento de nós mesmos.
A Maçonaria propõe uma jornada de transformação, na qual o iniciado
passa simbolicamente da pedra bruta à pedra polida. Esse processo representa
um trabalho contínuo sobre si mesmo.
O homem deve ser, portanto, o arquiteto de seu próprio destino. E, nessa
construção, precisa entender que o verdadeiro Templo a ser construído está
também dentro de si. A evolução intelectual e espiritual não acontece de uma
única vez; é uma busca constante.
O iniciado, ao se reconhecer como Homem Simbólico, deve compreender
que não basta possuir conhecimento. É necessário transformar-se por meio
dele. O conhecimento que não produz mudança interior acaba perdendo
grande parte do seu sentido.
Reconhecer, compreender e aplicar os ensinamentos presentes nos
símbolos permite ao maçom procurar alinhar suas ações aos princípios
universais e, dessa maneira, contribuir para a construção de uma sociedade
mais justa e harmoniosa.
Por fim, o Homem Simbólico, dentro da Maçonaria, busca formar em si
características que também são importantes para a sociedade: ser um homem
de bons costumes, um cidadão consciente e uma pessoa comprometida com a
verdade, a justiça e a fraternidade.
Dessa forma, o aperfeiçoamento individual deixa de ser apenas uma
preocupação pessoal. Quando cada homem procura melhorar a si mesmo,
também pode contribuir para melhorar o ambiente em que vive. É nesse
sentido que o Homem Simbólico se torna um sustentáculo da sociedade.
O conceito de Homem Simbólico é importante para compreender a prática
iniciática da Maçonaria. Por meio da simbologia maçônica, somos convidados a
perceber que o verdadeiro trabalho não é feito apenas em pedras ou templos,
mas principalmente no coração e na mente do homem.
O Homem Simbólico é aquele que reconhece seus defeitos e procura
eliminá-los, lapidando-se continuamente. É aquele que entende que sempre
existe algo a melhorar em si mesmo.
Mais do que conhecer os símbolos, é preciso vivenciá-los. O objetivo final
dessa caminhada é fazer com que o conhecimento adquirido dentro do Templo
possa refletir-se em nossas atitudes fora dele, contribuindo para a construção
de um mundo melhor, mais justo e fraterno.
Autoria: Cabo João Duarte