Voltar para o Blog 03 de September de 2026

JOSÉ GOMES DO AMORIM

JOSÉ GOMES DO AMORIM

Capitão José Gomes de Amorim

 

Capitão da Guarda Nacional, maçom republicano e dedicado entusiasta dos ideais liberais, teve destacada participação na vida maçônica, política e social de Ribeirão Preto e de outras localidades do interior paulista.

 

Ingressou na Maçonaria Ribeirão-Pretana em 1874, filiando-se à Loja Maçônica Amor e Caridade, instituição à qual permaneceria ligado ao longo de sua trajetória. Contraiu matrimônio com D. Francisca Galloti de Amorim, constituindo sua família e participando ativamente da vida pública de seu tempo.

 

Além de sua atuação maçônica, José Gomes de Amorim exerceu diversas funções de relevância na administração pública. Foi gerente dos Correios e Telégrafos e, já no período republicano, exerceu os cargos de Inspetor e Coletor de Impostos em Jaboticabal. Sua atuação política esteve vinculada aos ideais liberais, tendo sido membro do PLR – Partido Liberal Republicano e fundador do PLP – Partido Liberal Paulista.

 

Na atividade empresarial, dedicou-se à pirotecnia e manteve em Ribeirão Preto um estabelecimento especializado na fabricação e comercialização de fogos de artifício. Em novembro de 1888, entretanto, sua casa comercial foi consumida por um incêndio criminoso, que reduziu a cinzas seus bens e instalações.

 

O episódio, conforme relatado pela imprensa da época, teve consequências dramáticas. José Gomes de Amorim e sua família escaparam com vida por pouco, conseguindo retirar do local apenas a roupa que traziam no corpo e alguns poucos pertences. O prejuízo material foi de grandes proporções.

 

Diante da adversidade, recebeu o amparo e a solidariedade de seus Irmãos da Loja Amor e Caridade, bem como dos maçons da recém-fundada Loja Maçônica Estrella D’Oeste, demonstrando, naquele momento, um dos princípios mais caros à Maçonaria: a fraternidade entre seus membros.

 

Posteriormente, em razão de divergências quanto à orientação política da Loja Estrella D’Oeste, José Gomes de Amorim, juntamente com outros membros da Loja Amor e Caridade, participou da fundação de novas oficinas maçônicas em Ribeirão Preto, entre elas a Loja Macedo Soares e a Loja Lealdade a Vautier.

 

Como reconhecimento por sua dedicação à Maçonaria e pelos serviços prestados à Ordem e à Pátria, em setembro de 1889 recebeu o título de Benemérito da Ordem do Grande Oriente do Brasil, distinção que testemunha a relevância de sua atuação no meio maçônico de seu tempo.

 

Sua atividade no ramo da pirotecnia prosseguiu também fora de Ribeirão Preto. Em sociedade com seu cunhado, fundou uma nova fábrica de fogos de artifício em Espírito Santo do Pinhal. Em 1900, a fábrica veio a ser destruída por uma explosão. Segundo o noticiário da época, tratava-se da quinta fábrica que havia explodido em sua trajetória empresarial.

 

Já em Jaboticabal, José Gomes de Amorim continuou exercendo diferentes funções de interesse público. Em 1909, assumiu o cargo de Fiscal Ambulante, além de atuar como Diretor do jornal A Verdade e exercer a função de Subdelegado de Polícia. Em 1912, foi nomeado Fiscal de Higiene e, em 1917, exerceu as funções de Fiscal e Escrivão do Termo de Jaboticabal.

 

Os últimos anos de sua vida permanecem envoltos em algumas lacunas documentais. Segundo relatos transmitidos por seus descendentes, José Gomes de Amorim teria contraído uma grave infecção alimentar após consumir alimento típico de origem turca, especialmente quibe cru. Em razão da enfermidade, foi internado no Hospital Santa Izabel, em Jaboticabal, onde veio a falecer.

 

Apesar das informações preservadas pela tradição familiar e pelos registros históricos encontrados, a data exata de seu falecimento e o local de seu sepultamento ainda não foram identificados.

 

A trajetória de José Gomes de Amorim permanece, assim, como parte da história dos primeiros maçons que ajudaram a construir a vida institucional, política e social de Ribeirão Preto e de outras cidades paulistas. Sua passagem pela Loja Amor e Caridade, sua atuação em diferentes oficinas maçônicas e seu reconhecimento como Benemérito da Ordem constituem testemunhos de uma época em que a Maçonaria ocupava papel significativo na formação da sociedade republicana brasileira.

 

QUERO SER MAÇOM